
Doce dor
De uns tempos para cá já não tenho mais inspiração.
Talvez me falte ânimo, não encontro uma razão.
Nem versos nem poesias, onde está aquele dom?
Nem músicas nem canções, minha voz está sem tom!
Procurando soluções é onde me acho forte.
Não atrás de pesos e medidas,
as vezes me sinto perto da morte.
Morte de sonhar, dançar, amor, cantar.
Morte de estar, sentir, passar
morte de tu, de mim, de nós
que vida teria o eu se não existisse o nós?
Você me mata um pouquinho todo dia
me mata a cede, a fome, o calor
me mata a vontade, o desejo, a paixão e o temor.
Você não me mata com maldade, mas me mata com amor.
Se o poeta já dizia se se morre de amor
porque não posso morrer eu enclausurado nesta dor?
Dor que me alimenta a alma e me faz viver
dor mais pura que a água da fonte e teus olhos no anoitecer.
O amor é dor, morte, tortura e desespero.
Mate-me! Torture-me! Desespere-me!
Consuma-me! Beba-me! Ferre-me!
Me leve a outra vida e na tortura me renegue.
Me faça sofrer dessa doce dor.
É de onde tiro minha razão.
Assim faço poesia e canção
pra lhe declarar o meu amor!

